domingo, 30 de março de 2014

Resenha: Neuromancer


Livro: Neuromancer
Autor: William Gibson
Editora: Aleph
Compre: Saraiva
Sinopse: No futuro, existe a matrix. Uma espécie de alucinação coletiva digital na qual a humanidade se conecta para, virtualmente, saber de tudo sobre tudo. Mas há uma elite que navega por essa grande rede de informação - os cowboys. Case era um deles, até o dia em que tentou ser mais esperto do que os seus patrões. Que fritaram suas conexões com o ciberespaço, tornando-o um pária entre os seus iguais. Ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, mais envolvido do que nunca em destruir a si próprio, até ser contatado por Molly, uma bela e perigosa mulher que, assim como ele, desconfia de tudo e de todos. Os dois acabam se envolvendo numa missão cheia de mistérios e perigos. Esta edição comemorativa de 25 anos de 'Neuromancer' conta com nova tradução de Fábio Fernandes e prefácio de William Gibson. O romance de estréia de Gibson é o primeiro volume da chamada 'Trilogia do Sprawl', que ainda inclui os livros 'Count Zero' e 'Mona Lisa Overdrive'.

Resenha: Este livro é uma leitura obrigatória para todos os profissionais de segurança cibernética e para os fãs de ficção científica, não porque você vai aprender novos insights sobre o seu ofício, mas porque você vai entender por que este livro era tão influente para segurança cibernética naquela época. Gibson inventou e esclareceu a linguagem que ainda estamos usando hoje, anos antes de se tornar dominante. Ele criou a palavra "ciberespaço", lançou o gênero "cyberpunk" e pontificou sobre “a singularidade". Na minha opinião, este livro é uma obra de arte, perfeito do começo ao fim.

Gibson publicou Neuromancer em 1984 e, posteriormente, recebeu vários prêmios por seus esforços:

Prêmio Nebula (melhor romance de ficção científica)

Philip K. Dick Award (Melhor ficção científica Paperback)

Hugo Award (Melhor romance de ficção científica)

Em 2005, a revista Time elegeu Neuromancer como um dos 100 melhores romances em língua inglesa escritos desde 1923.


"O céu sobre o porto tinha a cor de televisão sintonizada num canal fora do ar".

Os críticos literários, posteriormente, marcou este romance como a obra "excelência" em um novo gênero chamado cyberpunk.

Estudiosos categorizam cyberpunk como histórias escritas em um futuro próximo-distópico, onde a tecnologia é avançada, os governos têm se retirado em potência para ser substituído por corporações e interfaces homem-máquina e seres cyborg, são a norma.

***

O personagem principal de Neuromancer é Case, um hacker de classe mundial, conhecido como um cowboy no livro, que caiu em desgraça. O governo o pegou fazendo algo estúpido e, por meio de cirurgia, tornou impossível para ele sempre se conectar a internet. A propósito, Gibson inventou a palavra "ciberespaço" em um conto que ele escreveu em 1982, chamado de "Burning Chrome", mas Neuromancer catapultou a palavra na cultura popular.

Case é um cowboy, um hacker do ciberespaço, também conhecido como matrix. Mas comete um grave erro: tenta enganar seus contratantes após uma missão. Descoberto, é punido com o exílio, seu corpo se tornando incapaz de acessar a matrix. Seguindo para o Japão, se torna um viciado, sobrevivendo como intermediário em transações ilícitas. Em sua jornada rumo ao fundo do poço, conhece Molly, uma samurai modificada geneticamente, e seu contratante, o misterioso Armitage, que lhe oferece a chance de ser concertado, além de um trabalho, uma arriscada missão ao redor do mundo, cujos objetivos não se mostram inicialmente claros.

Na proposta feita por Armitage ao cowboy, Case teria restauradas as suas conexões com a matrix, desde que colaborasse em trabalhar com os secretos planos de seu contratante. E como garantia, Armitage implantou em Case tubos contendo a tal neurotoxina que outrora lhe privara do acesso ao cyber-espaço e, apenas com a colaboração do hacker essa toxina seria neutralizada. 

***

Gibson também inventa uma nova cultura neste livro, e quando eu me lembro que ele publicou em 1984, eu fico com arrepios pensando em como ele era presciente. Duas idéias vêm à mente. O primeiro é um grupo hacktivista chamado Modernos. Lembre-se que, em 1984, a internet era pouco mais que um diagrama de quadro branco e alguns sistemas de comunicação universitários primitivos. No entanto, Gibson teve a visão de prever hacktivistas cibernéticos e descreveu-os da seguinte maneira:

"Os modernos eram mercenários, piadistas de mau gosto, technofetichistas niilistas."

Se isso não é a descrição perfeita de Anônimo, eu não sei o que é .

A segunda ideia vem na forma de um motor de pesquisa personalizado, Gibson chama-o Hosaka. O Hosaka é basicamente uma inteligência artificial que pesquisa na internet para qualquer que seja o usuário. Isso não é bem o que o Google faz para nós hoje, mas está muito próximo.
***

O final é extremamente satisfatório, tanto por apresentar um desfecho que honra todo o excelente desenvolvimento quanto por auxiliar numa visão mais tridimensional de Case. As últimas páginas conseguem soar incrivelmente tristes, mesmo sem apelar para sentimentalismos.

Eu gostei muito de ler este livro. É uma leitura obrigatória, não porque ele é um dos primeiros romances cyberpunk, mas porque Gibson cria um mundo ao qual muitos sonham em viver, um futuro que pode estar próximo. 

Neuromancer é aquele livro que te faz perder a hora, pois é realmente impossível para de ler. Você não vai ficar feliz até que o tenha finalizado e em seguida vai desejar mais que tudo pela continuação. 

Cinco estrelas não são suficiente para classificar este livro, faltam-me palavras para descrever o quanto gostei de lê-lo.

Obs: Neuromancer completa 30 anos esse ano. 

Detalhes:
Título: Neuromancer
Autor: 
William Gibson
ISBN: 9788576570493
Tradutor: Fábio Fernandes
Idioma: Português
Tipo de Capa: Brochura
Edição: 4ª edição
Número de Páginas: 312
Diego J. S.

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